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01/02/2010
Im­pos­to de im­por­ta­ção do eta­nol de­ve ­cair
 
por Paula Pacheco - Agên­cia Es­ta­do / Agrolink
 

Me­di­da se­rá o pri­mei­ro mo­vi­men­to do go­ver­no nes­te ano em di­re­ção ao mer­ca­do in­ter­na­cio­nal do com­bus­tí­vel bra­si­lei­ro

Pas­sa a va­ler ho­je a no­va mis­tu­ra de eta­nol na ga­so­li­na ven­di­da nos pos­tos. O com­bus­tí­vel dei­xa de ter 25% de eta­nol e pas­sa a re­ce­ber a adi­ção de 20% pe­los pró­xi­mos 90 ­dias. Cer­ca de 100 mi­lhões de li­tros de eta­nol de­vem ser pou­pa­dos por mês com a me­di­da. As­sim, o se­tor ga­nha fô­le­go pa­ra co­lo­car a ca­sa em or­dem e nor­ma­li­zar o abas­te­ci­men­to a par­tir de mar­ço, quan­do a sa­fra 2010/2011 de­ve co­me­çar - an­te­ci­pa­da em ­mais de um mês nu­ma ope­ra­ção emer­gen­cial.

A mu­dan­ça na fór­mu­la da ga­so­li­na foi uma de­ci­são do go­ver­no pa­ra es­tan­car o ris­co de de­sa­bas­te­ci­men­to de eta­nol. Ape­sar de o pro­ble­ma es­tar a ca­mi­nho da so­lu­ção, o go­ver­no de­ve to­mar ou­tra de­ci­são im­por­tan­te nos pró­xi­mos ­dias.

A Câ­ma­ra de Co­mér­cio Ex­te­rior (Ca­mex), li­ga­da ao Mi­nis­té­rio do De­sen­vol­vi­men­to, tem agen­da­da uma reu­nião pa­ra o dia 9 que te­rá na pau­ta o fim da ta­ri­fa de im­por­ta­ção pa­ra o eta­nol. Se­rá o pri­mei­ro mo­vi­men­to do go­ver­no nes­te ano em di­re­ção ao mer­ca­do in­ter­na­cio­nal do eta­nol, de va­lor in­cal­cu­lá­vel.

O pró­prio mi­nis­tro da Agri­cul­tu­ra, Rei­nhold Ste­pha­nes, ad­mi­te não en­ten­der o mo­ti­vo da ta­ri­fa: ‘‘Não sei por­que a ta­ri­fa não foi eli­mi­na­da an­tes. Nem sei por­que ela foi es­ta­be­le­ci­da. Não sa­bia que ela exis­tia até o se­tor pe­dir pa­ra aca­bar com ­ela’’. Se­gun­do ele, a não ser que os téc­ni­cos da Ca­mex pe­çam pa­ra ana­li­sar o ca­so, o im­pos­to de im­por­ta­ção pa­ra o eta­nol de­ve ­cair no dia da reu­nião.

A ini­cia­ti­va de aca­bar com o im­pos­to de im­por­ta­ção par­tiu da ­União da In­dús­tria de Ca­na de Açú­car, a Uni­ca, em ou­tu­bro pas­sa­do. Pa­ra a en­ti­da­de que re­pre­sen­ta os usi­nei­ros, der­ru­bar a bar­rei­ra ta­ri­fá­ria é a for­ma ­mais ur­gen­te de tam­bém aca­bar com a ta­ri­fa ame­ri­ca­na pa­ra o pro­du­to na­cio­nal, que ho­je é de 2% so­bre o va­lor da com­pra, ­mais US$ 0,54 por ga­lão (3,78 li­tros). "Não pe­di­mos o fim da ta­ri­fa pa­ra po­der im­por­tar. Que­re­mos é ex­por­tar. Pa­ra is­so é pre­ci­so uma ques­tão de prin­cí­pios. Co­mo o Bra­sil po­de ser de­fen­sor do li­vre co­mér­cio e pra­ti­car es­sa ta­ri­fa? Por que o pe­tró­leo é li­vre de ta­ri­fa e o eta­nol não é?", ci­ta Mar­cos ­Jank, pre­si­den­te da Úni­ca.

Os EUA, que pro­du­zem o eta­nol de mi­lho, com cus­to ­mais ele­va­do que o si­mi­lar na­cio­nal, po­de­rão ser a ­mais ex­pres­si­va por­ta de en­tra­da do pro­du­to bra­si­lei­ro. O mer­ca­do ame­ri­ca­no pro­duz por ano em tor­no de 37 bi­lhões de li­tros de eta­nol de mi­lho. Dos 5,1 bi­lhões de li­tros em­bar­ca­dos pa­ra o ex­te­rior em 2008, 1,5 bi­lhão fo­ram pa­ra s EUA, prin­ci­pal clien­te bra­si­lei­ro.

Em en­con­tro com o pre­si­den­te Ba­rack Oba­ma no ano pas­sa­do, o pre­si­den­te Lu­la res­sal­tou a im­por­tân­cia de as bar­rei­ras se­rem eli­mi­na­das. Ele des­ta­cou na con­ver­sa os as­pec­tos co­mer­ciais e am­bien­tais.

In­te­res­se eco­nô­mi­co

Pa­ra Ste­pha­nes, o as­pec­to am­bien­tal tem si­do dos me­nos va­lo­ri­za­dos. "É a ­maior hi­po­cri­sia. Quan­do o bar­ril de pe­tró­leo es­ta­va a US$ 140, re­ce­bia ­aqui no mi­nis­té­rio pe­lo me­nos uma mis­são in­ter­na­cio­nal por se­ma­na. Pe­lo me­nos me­ta­de dos paí­ses da ­União Eu­ro­peia se in­te­res­sa­ram pe­lo eta­nol bra­si­lei­ro e vie­ram co­nhe­cê-lo."

Mas o tem­po pas­sou e o rit­mo de vi­si­tas ao mi­nis­té­rio mu­dou: "Bas­tou o pe­tró­leo des­pen­car pa­ra to­do mun­do su­mir. Faz ­seis me­ses que não re­ce­bo nin­guém. O pro­ble­ma am­bien­tal de­sa­pa­re­ceu. O que im­por­ta mes­mo é o as­pec­to eco­nô­mi­co."

Pre­si­den­te da ­maior em­pre­sa do se­tor, a Co­san, Mar­cos ­Lutz não se sen­te amea­ça­do em re­la­ção ao fim das bar­rei­ras. "De­ve­ría­mos fa­zer is­so, po­rém ne­go­cian­do uma con­tra­par­ti­da ame­ri­ca­na de abri­rem o mer­ca­do de­les. Não ve­jo ris­cos maio­res, ­pois so­mos mui­to ­mais com­pe­ti­ti­vos que qual­quer ­pais na pro­du­ção de ­etanol", opi­na.

Sem dar de­ta­lhes, ­Jank tra­ba­lha com a pos­si­bi­li­da­de de o Bra­sil fa­zer uma pe­que­na im­por­ta­ção de eta­nol an­tes de os es­to­ques se nor­ma­li­za­rem. "É pos­sí­vel que en­tre al­gu­ma ­coisa", an­te­ci­pa. O fa­to é que, se­gun­do ­Jank, po­de até pa­re­cer con­tra­di­tó­rio, mas o Bra­sil é ­quem ga­nha com a aber­tu­ra à im­por­ta­ção de eta­nol, já que tem um cus­to de pro­du­ção me­nor e é o úni­co ­país a con­vi­ver com uma al­ter­na­ti­va eco­nô­mi­ca e eco­lo­gi­ca­men­te viá­vel ao pe­tró­leo.

Jank não acre­di­ta que o eta­nol bra­si­lei­ro te­nha per­di­do pres­tí­gio em fun­ção do au­men­to de pre­ço e pos­si­bi­li­da­de de de­sa­bas­te­ci­men­to. "Is­so não acon­te­ceu por­que se pro­du­ziu ­mais açú­car (que te­ve uma al­ta ex­pres­si­va de pre­ço no mer­ca­do in­ter­na­cio­nal) do que eta­nol. Ti­ve­mos ­mais de ­dois me­ses de chu­va, o que in­ter­rom­peu a co­lhei­ta da ca­na du­ran­te a ­safra", co­men­ta. Ape­sar dis­so, a in­dús­tria ba­teu re­cor­de de sal­do na ba­lan­ça co­mer­cial em 2009, com sal­do de US$ 9,7 bi­lhões, an­te US$ 7,8 bi­lhões em 2008.

Pa­ra Ri­car­do de Gus­mão Dor­nel­les, di­re­tor do De­par­ta­men­to de Com­bus­tí­veis Re­no­vá­veis do Mi­nis­té­rio de Mi­nas e Ener­gia, o tro­pe­ço do eta­nol in­ter­fe­riu, sim, na ima­gem do pro­du­to bra­si­lei­ro no mun­do, "por­que os in­te­res­ses são ­grandes". "Mas não é um de­ses­pe­ro, uma ter­ra ­arrasada", pon­de­ra. Ele de­fen­de a li­be­ra­li­za­ção. "Se há o de­se­jo que se tor­ne uma al­ter­na­ti­va ener­gé­ti­ca, as bar­rei­ras te­rão de ser re­vis­tas."

 
 



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