|
O volume de dinheiro aplicado nos mercados de commodities caiu US$ 12 bilhões, para US$ 245 bilhões em janeiro, segundo levantamento do banco britânico Barclays Capital. Foi a primeira queda mensal desde novembro de 2008, o período mais crítico da crise financeira internacional, e apenas o quarto resultado negativo em quatro anos. Em relatório de mercado, o Barclays assegurou que o resultado não surpreendeu "se se considerar o ressurgimento do pessimismo econômico entre os investidores".
O Barclays aponta que três fatores alimentaram a aversão a commodities: os sinais de aperto monetário na China, o possível endurecimento da legislação para os bancos nos Estados Unidos e os problemas fiscais na Grécia. Para os economistas da entidade, as preocupações são exageradas. "As duas primeiras questões não devem ter qualquer implicação no curto prazo. Os mercados de crédito estão se recuperando no mundo todo em ritmo normal, considerada a extensão da queda", asseguram. Em relação à Grécia, a avaliação é de que a resolução proposta pela União Europeia "de algum modo já acalmou os nervos do mercado".
No que diz respeito à China, a instituição argumenta que o recente aumento dos depósitos compulsórios apenas visa a controlar o ritmo de crescimento dos empréstimos bancários, "o que não é, em si, exatamente um aperto de crédito" e que o ajuste da política monetária "coloca o apetite da China por commodities em uma trajetória mais sustentável no longo prazo, evitando um superaquecimento da economia, o que não é uma má notícia".
A análise vai ao encontro do fato de que, apesar de os fundos de hedge terem enxugado sua carteira de commodities, os investidores institucionais de longo prazo mantiveram suas posições intactas em janeiro. "Observamos inclusive algumas novas instituições olhando para as commodities em busca de diversificação de portfólio", informa o Barclays.
Os chamados fundos ETF, cujas cotas são negociadas em bolsas de valores, foram os mais afetados pelo ambiente de pessimismo. O valor aplicado nos fundos ETF especializados em commodities caiu cerca de US$ 3,5 bilhões em janeiro, para US$ 35,6 bilhões. Grande parte da queda, cerca de US$ 3 bilhões, refletiu a desvalorização da carteira. Os US$ 500 milhões foram resultado de saques.
Já os fundos de índices, de longo prazo, viram o valor de sua carteira cair aproximadamente US$ 9 bilhões, para US$ 102 bilhões. Contudo, a queda foi provocada exclusivamente pela queda de preços dos ativos. "Os investidores de longo prazo continuam a ver as commodities como um instrumento de proteção (hedge) contra a inflação", diz o Barclays.
|